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Dra. Marta Fontenele – Cirurgia Pediátrica em Asa Norte, Brasília – DF


O pediatra disse que o testículo do meu filho não desceu. O que ele quer dizer com isso?

O testículo não-descido, também chamado de criptorquidia, ocorre quando um ou ambos os testículos não se encontram na bolsa escrotal ao nascimento.

Por que o testículo do meu filho não desceu? O que aconteceu?

Durante a gestação, os testículos se desenvolvem dentro do abdome e, normalmente, descem gradualmente até a bolsa escrotal. Quando esse processo não é concluído até o final da gestação, o testículo pode permanecer em alguma região do trajeto que deveria percorrer, como a virilha ou o abdome. O testículo não-descido pode se resolver espontaneamente até os primeiros 6 meses de idade.

Se o testículo ainda não estiver na bolsa escrotal aos 6 meses de idade, a criança deve ser avaliada por um cirurgião pediatra ou especialista com experiência no tratamento da criptorquidia. Nessa idade, a chance de descida espontânea diminui bastante, e é importante definir a melhor conduta.

Quando a cirurgia é indicada, ela deve ser realizada preferencialmente entre 6 e 12 meses de idade e, idealmente, até os 18 meses, de acordo com a avaliação individual de cada criança.

Dra Marta Fontenele é cirurgiã pediatra (CRM-DF 17272, RQE 15159) com 10 anos de experiência no cuidado de crianças e adolescentes.
Formou-se em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB) e realizou residência de Cirurgia Pediátrica no Hospital Materno-Infantil de Brasília (HMIB).
Aliando conhecimento técnico, experiência e atendimento humanizado, dedica-se a oferecer um cuidado pautado na empatia, no zelo e na responsabilidade. Acredita que toda criança e sua família merecem ser ouvidas com atenção, acolhidas e avaliadas de forma individualizada.
Quando o tratamento cirúrgico é necessário, conduz cada etapa com segurança, transparência e acompanhamento pós-operatório cuidadoso, buscando proporcionar tranquilidade às famílias e a melhor recuperação para seus pacientes.

Veja aqui a opinião de alguns pacientes atendidos:


Por que o testículo não desceu? Qual o motivo?


Na maioria das vezes, não existe uma causa única que explique a criptorquidia e sua causa ainda não é totalmente esclarecida.

A descida do testículo depende de uma série de fatores hormonais, anatômicos e relacionados ao desenvolvimento do bebê. Alterações nesse processo podem fazer com que o testículo não chegue à bolsa escrotal.

A criptorquidia também é mais frequente em bebês prematuros.

É importante ressaltar: não há evidências de que algo que a mãe tenha feito ou deixado de fazer durante a gestação seja responsável pela criptorquidia na maioria dos casos.

testículo não-descido


O que vou perceber se meu filho tiver testículo não-descido? Quais os sintomas?

O principal sinal é a ausência do testículo dentro da bolsa escrotal. Os pais podem perceber que uma das bolsas parece menor ou vazia durante o banho ou na troca de fralda.

Em alguns casos, o testículo pode ser percebido como um pequeno abaulamento ou caroço na região da virilha.

É comum, inclusive, que a alteração seja identificada pelo pediatra durante o exame físico realizado na maternidade ou nas consultas de rotina.

A ausência do testículo na bolsa escrotal não significa necessariamente que ele esteja dentro da barriga. O testículo pode estar localizado em diferentes pontos do seu trajeto de descida, por exemplo, na região da virilha e o exame físico ajuda a determinar sua posição.

Quando procurar um cirurgião pediatra?

Se o pediatra informou que seu filho apresenta um testículo que não está na bolsa escrotal, é importante realizar uma avaliação especializada.

A consulta permite confirmar se realmente existe criptorquidia, identificar a posição do testículo e definir se é necessário tratamento.

Se o testículo ainda não estiver na bolsa escrotal aos 6 meses de idade, não é recomendável simplesmente esperar por mais tempo sem avaliação especializada.

Quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento adequado forem realizados, maiores são as chances de preservar o desenvolvimento e a função do testículo.


Bebê sendo examinado


Meu filho tem testículo não-descido. Ele precisa de cirurgia?

Nem todo caso de testículo não-descido é igual. Por isso, a criança precisa ser examinada para confirmar o diagnóstico, localizar o testículo e definir a melhor conduta.

Se o testículo continuar fora da bolsa escrotal após os primeiros meses de vida, a avaliação pelo cirurgião pediatra é importante.

Quando a criptorquidia é confirmada e o testículo não desceu espontaneamente, a cirurgia, chamada orquidopexia, é o tratamento recomendado na maioria dos casos.

O objetivo da cirurgia é colocar e manter o testículo dentro da bolsa escrotal.

Por que é importante tratar a criptorquidia?

A posição do testículo fora da bolsa escrotal o deixa em uma temperatura mais elevada do que a ideal o que pode afetar a função e desenvolvimento testicular. Isso aumento o risco de infertilidade (incapacidade de engravidar a parceira) e malignidade (desenvolvimento de um câncer).

O risco de desenvolvimento de câncer testicular é maior em algumas situações, como quando os dois testículos não desceram ou quando o testículo permanece dentro do abdome.

A cirurgia permite colocar o testículo na bolsa escrotal o que facilita seu acompanhamento ao longo da vida e pode reduzir alguns dos riscos associados à criptorquidia. Entretanto, a cirurgia não elimina completamente o risco aumentado de câncer de testículo.

Por isso, mesmo após o tratamento, é importante que o paciente seja acompanhado adequadamente ao longo da vida.

Como é feito o diagnóstico?

O exame físico é a principal ferramenta para diagnosticar a criptorquidia.

Durante a consulta, o cirurgião pediatra avalia cuidadosamente a bolsa escrotal e a região inguinal para verificar se consegue identificar o testículo e determinar sua localização.

O testículo pode ser:

  • Palpável: quando pode ser sentido ao exame físico, geralmente na região da virilha ou em alguma posição ao longo do seu trajeto de descida.
  • Não palpável: quando não é possível encontrá-lo pelo exame físico. Nesses casos, ele pode estar dentro do abdome, em uma posição diferente ou, mais raramente, pode não ter se desenvolvido adequadamente.

É necessário fazer algum exame?

No geral, um exame físico bem realizado costuma fornecer as informações mais importantes para definir a localização do testículo e planejar o tratamento.

Em situações específicas, o médico pode solicitar exames de imagem, como por exemplo a ultrassonografia, para ajudar na avaliação.

A ressonância magnética não é um exame de rotina para diagnosticar criptorquidia e geralmente não é necessária para o planejamento da cirurgia.

Criança sendo submetida à ecografia

Como é realizada a cirurgia para testículo não-descido?

A cirurgia para corrigir a criptorquidia é chamada de orquidopexia.

O procedimento é realizado com anestesia geral e tem como objetivo liberar o testículo, preservar suas estruturas e posicioná-lo adequadamente dentro da bolsa escrotal.

Criança sendo anestesiada

Como é a cirurgia quando o testículo é palpável?

Quando o testículo pode ser localizado pelo exame físico, geralmente é possível realizar a cirurgia por meio de uma pequena incisão na região da virilha e outra pequena incisão na bolsa escrotal.

De maneira geral:

  1. A região da virilha e da bolsa escrotal é preparada para a cirurgia.
  2. É realizada uma pequena incisão na região da virilha.
  3. O testículo é localizado e liberado cuidadosamente das estruturas ao seu redor.
  4. O cordão espermático é mobilizado de forma a permitir que o testículo alcance adequadamente a bolsa escrotal.
  5. É realizada uma pequena incisão na bolsa escrotal.
  6. O testículo é colocado e fixado dentro da bolsa.
  7. As incisões são fechadas.

Após o procedimento, a criança é encaminhada para a sala de recuperação anestésica e permanece sob observação até estar bem acordada e recuperada da anestesia.

Na maioria dos casos, a criança recebe alta no mesmo dia.

E quando o testículo não é palpável?

Quando o testículo não pode ser localizado pelo exame físico, pode ser necessário realizar uma laparoscopia para verificar se ele está dentro do abdome.

Nesse procedimento, uma pequena câmera é introduzida no abdome por meio de pequenas incisões.

A conduta depende da localização do testículo e das características do seu suprimento sanguíneo. Em alguns casos, é possível realizar a orquidopexia no mesmo procedimento. Em outros, pode ser necessária uma abordagem em etapas.

Por isso, a cirurgia de um testículo impalpável pode ser diferente da cirurgia de um testículo palpável.


Como é o pós-operatório?

A recuperação costuma ser tranquila, mas é importante seguir cuidadosamente as orientações pós-operatórias.

Nos primeiros dias, é comum que a criança apresente desconforto ou dor leve, que geralmente pode ser controlada com os medicamentos prescritos.

Os cuidados incluem atenção à higiene da região operada, uso correto das medicações e observação das incisões.

O tempo para retorno à escola e às atividades físicas deve ser definido individualmente, mas em média a criança fica de 7 a 10 dias afastada da escola e 30 dias, das atividades físicas intensas.

Também é importante limitar brincadeiras e atividades que possam causar trauma na região operada durante o período recomendado.

Quais são as possíveis complicações?

A orquidopexia é uma cirurgia realizada com frequência e, na maioria das vezes, apresenta boa evolução.

Como em qualquer procedimento cirúrgico, entretanto, podem ocorrer complicações. Entre elas estão:

  • infecção da ferida operatória;
  • sangramento ou hematoma;
  • alteração da posição do testículo;
  • atrofia testicular, que é a redução do tamanho e da função do testículo;
  • necessidade de nova cirurgia em situações específicas.

Complicações importantes são pouco frequentes.

Quando procurar um cirurgião pediatra?

Se o pediatra informou que seu filho apresenta um testículo que não está na bolsa escrotal, é importante realizar uma avaliação especializada.

A consulta permite confirmar se realmente existe criptorquidia, identificar a posição do testículo e definir se é necessário tratamento.

Se o testículo ainda não estiver na bolsa escrotal aos 6 meses de idade, não é recomendável simplesmente esperar por mais tempo sem avaliação especializada.

Quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento adequado forem realizados, maiores são as chances de preservar o desenvolvimento e a função do testículo.


Saiba mais:

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Hérnia umbilical em crianças: sintomas, tratamento e quando é preciso operar.

Hérnia inguinal na criança: o que você precisa saber para ajudar seu filho.

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