A hérnia é um pequeno defeito, ou seja, um “buraquinho” na parede abdominal que permite a passagem de um estrutura abdominal através dele.
A hérnia umbilical é a hérnia da região do umbigo. Na maioria das vezes, é percebida como um abaulamento ou estufamento na região do umbigo. No geral, não causa dor nem representa uma situação de emergência.

Quais os sintomas da hérnia umbilical?
O principal sinal da hérnia umbilical é o abaulamento na região do umbigo.
Esse abaulamento pode:
- ficar mais evidente quando o bebê chora ou quando a criança faz algum esforço;
- diminuir ou desaparecer quando a criança está relaxada ou deitada;
- estar associado a um excesso de pele na região do umbigo;
- eventualmente causar desconforto local, principalmente durante esforços. Entretanto, na maioria das crianças, a hérnia umbilical não causa dor.
Meu filho tem hérnia umbilical. Ele precisa operar?
Na maioria das crianças, não é necessário operar imediatamente.
A hérnia umbilical infantil frequentemente fecha espontaneamente à medida que a criança cresce e a musculatura da parede abdominal se fortalece. No geral, isso ocorre nos primeiros 5 anos de vida.
Por isso, em muitas situações, o cirurgião pediátrico recomenda apenas acompanhamento clínico, especialmente quando a criança é pequena e a hérnia é assintomática.
A decisão sobre a necessidade e o momento da cirurgia depende de vários fatores, como:
- idade da criança;
- tamanho do defeito na parede abdominal;
- presença de sintomas;
- evolução da hérnia ao longo do tempo;
- aspecto da região umbilical;
- presença ou não de complicações.
Quando a hérnia persiste após os primeiros anos de vida, é importante que a criança seja avaliada pelo cirurgião pediátrico, que poderá orientar a melhor conduta para cada caso.
Hérnias muito grandes ou que apresentam características específicas podem ter indicação de tratamento cirúrgico em idade mais precoce.

Dra Marta Fontenele é cirurgiã pediatra (CRM-DF 17272, RQE 15159) com 10 anos de experiência no cuidado de crianças e adolescentes.
Formou-se em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB) e realizou residência de Cirurgia Pediátrica no Hospital Materno-Infantil de Brasília (HMIB).
Aliando conhecimento técnico, experiência e atendimento humanizado, dedica-se a oferecer um cuidado pautado na empatia, no zelo e na responsabilidade. Acredita que toda criança e sua família merecem ser ouvidas com atenção, acolhidas e avaliadas de forma individualizada.
Quando o tratamento cirúrgico é necessário, conduz cada etapa com segurança, transparência e acompanhamento pós-operatório cuidadoso, buscando proporcionar tranquilidade às famílias e a melhor recuperação para seus pacientes.
Veja aqui a opinião de alguns pacientes atendidos:



Por que a hérnia umbilical ocorre?
Nos bebês e nas crianças, a hérnia umbilical geralmente está relacionada ao processo normal de fechamento da parede abdominal após o nascimento.
Durante a gestação, os vasos sanguíneos do cordão umbilical passam por uma abertura na parede abdominal. Depois que o bebê nasce e o cordão é cortado, essa região tende a se fechar progressivamente.
Quando esse fechamento não acontece completamente, permanece uma pequena abertura na região do umbigo, permitindo o aparecimento da hérnia.
A hérnia umbilical é mais frequente em bebês prematuros e de baixo peso ao nascer.
Nos adultos, a hérnia umbilical pode estar relacionada à fraqueza da parede abdominal e a situações que aumentam a pressão dentro do abdome, como gravidez, obesidade e esforços físicos.

Como é feito o diagnóstico? É preciso fazer algum exame?
Na maioria das vezes, o exame físico, ou seja, o médico examinar a criança basta para identificar a hérnia umbilical. Em alguns casos, uma ecografia, também chamada de ultrassom, da parede abdominal pode ser realizada para confirmar o diagnóstico.
Minha vizinha disse que é só colocar uma moeda ou faixa em cima do umbigo. Posso fazer isso?
Não! Colocar objetos sobre o umbigo do bebê pode ser perigoso por risco de infecção do coto umbilical, a onfalite. Faixas também podem restringir os movimentos, inclusive, respiratórios dos bebês. Em crianças maiores, moedas, faixas e outros dispositivos não aceleram o fechamento da hérnia e podem causar lesões ou irritação da pele.
Como já falado, a maioria das hérnias irá se fechar com ou sem objeto no umbigo, então não use pelo risco de complicações.
A hérnia umbilical coloca meu filho em risco?
Na grande maioria das crianças, a hérnia umbilical não representa um risco importante.
O encarceramento e o estrangulamento são complicações possíveis, mas extremamente raras nas hérnias umbilicais da infância.
Por esse motivo, uma criança com hérnia umbilical que está bem, sem dor e sem alterações no aspecto habitual da hérnia geralmente não precisa ser levada imediatamente ao pronto-socorro apenas por apresentar o abaulamento no umbigo.
Quais as complicações da hérnia umbilical?
As duas principais complicações são o encarceramento e o estrangulamento. No encarceramento, uma estrutura abdominal, o segmento de intestino, por exemplo, fica presa no “buraquinho” que forma a hérnia e não consegue mais voltar ao abdome mesmo depois que a criança fica de repouso.
O estrangulamento ocorre quando a estrutura abdominal que herniou e ficou encarcerada deixa de receber o suprimento de sangue necessário e pode vir a necrosar.
Ambas as complicações são extremamente raras no caso das hérnias umbilicais.
Como saber se a hérnia umbilical está complicando?
Procure atendimento médico rapidamente se a criança apresentar:
- hérnia endurecida ou muito dolorosa ao toque;
- vermelhidão ou alteração importante da pele sobre a hérnia;
- hérnia que antes diminuía ou desaparecia e passa a permanecer “presa”;
- vômitos associados à alteração da hérnia;
- prostração ou piora do estado geral.
Nessas situações, a criança deve ser avaliada de forma urgente por um médico.
Como é realizada a cirurgia?
Quando existe indicação de cirurgia, o procedimento é realizado com a criança sob anestesia geral.
De maneira geral, a cirurgia envolve:
- higienização da região;
- realização de uma pequena incisão posicionada na região do próprio umbigo;
- identificação do defeito da parede abdominal;
- fechamento da abertura na musculatura;
- fechamento da pele, buscando preservar o aspecto natural do umbigo.
Após o procedimento, a criança é encaminhada para a sala de recuperação anestésica, onde permanece sob observação até estar adequadamente acordada e em condições de receber alta.
Na maioria dos casos, a cirurgia é realizada em regime de hospital-dia, e a criança pode retornar para casa no mesmo dia, conforme sua recuperação e as orientações da equipe médica.
Como é o pós-operatório?
É muito importante seguir as orientações dadas. Será explicado quais medicações usar e cuidados com a higiene. No geral, se as orientações são seguidas, o paciente terá apenas desconforto leve nos primeiros 2 a 3 dias e ficará em casa sem ir para a escola por uma semana. Após esse período, os pais têm que fazer um leve esforço para controlar as estripulias da criança por 30 dias a fim de permitir que a cicatrização ocorra de forma adequada.
Complicações, tais como infecção ou recidiva da hérnia, podem acontecer, mas são raras.

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